«Loiras» em luta na <i>Portugália</i>

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A pretexto da informação publicada no blogue Loiras Tristes, a administração das cervejarias Portugália instaurou, há um mês, processos disciplinares a todos os membros da comissão sindical, que agora veio agravar, somando-lhe a intenção de despedimento. O Sindicato da Hotelaria do Sul, da CGTP-IN, os delegados sindicais e os trabalhadores repudiaram esta atitude patronal, promoveram acções públicas de protesto e convocaram greve para 31 de Dezembro e 1 de Janeiro. Foi aberto um novo blogue, que não aceita comentários anónimos e mantém toda a informação favorável aos trabalhadores e incómoda para a administração; chama-se Loiras Contentes e é uma arma para a luta em defesa dos direitos, da aplicação do contrato colectivo e de respostas justas ao caderno reivindicativo apresentado à empresa.

Na sexta-feira, os onze delegados e alguns dirigentes sindicais promoveram um protesto à porta da cervejaria da Avenida Almirante Reis, em Lisboa, durante todo o período de almoço, com distribuição de um comunicado aos clientes. A acção repetiu-se no sábado, na cervejaria do Cais do Sodré.

A empresa não tem qualquer competência disciplinar, quando se trata de actividade sindical, por isso os processos são ilegais e devem ser arquivados - explicaram Fernando Pinto e Jorge Barreiro ao Avante! durante a primeira daquelas iniciativas. Segundo estes representantes, o que incomoda a administração não é a alegada degradação da imagem da empresa - esta é maltratada diariamente pelos procedimentos repressivos, discriminatórios e violadores de direitos. O que tem sucedido é que, desde que foi criada a comissão sindical, há dois anos, a organização dos trabalhadores tem vindo a crescer e, com isto, têm ganho mais força para defenderem justas reivindicações, ao que a administração decidiu responder com cada vez maiores pressões para afastar os delegados sindicais. Chegou mesmo ao ponto de criar uma rede de «embaixadores» - trabalhadores nomeados pela administração para lhe transmitirem problemas sentidos nos estabelecimentos, numa clara e assumida usurpação do papel que cabe aos representantes eleitos pelos trabalhadores.

Para manter o encerramento na passagem de ano (como era tradicional e como continua a suceder nas cervejarias em centros comerciais), para reivindicar aumentos salariais dignos (e contestar a arbitrariedade da «margem livre» variável), pela liberdade sindical, pelo pagamento normal e regular de horas extraordinárias e de folgas e feriados e de deslocações - entre outros direitos legais e contratuais -, o próximo passo é a greve, nos dias 31 de Dezembro e 1 de Janeiro.



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